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"Aqui a casa é ventilada, o coração é quente e as vontades têm a temperatura exata para os sonhos."
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É SOBRETUDO À NOITE... quase toda noite!



É sobretudo à noite que eu mais fico triste
quando o negrume cobre o meu silêncio
e eu solto o que me atormenta

É sobretudo à noite que a custo
planto os sorrisos do dia seguinte
para que me enfeitem
e me vistam com aquilo que não sou
que nunca fui
que não consigo ser

Somo silêncios como quem soma derrotas
como quem colecciona amores
como quem chora desafetos
como quem se lembra de quantos beijos deu
e quantos arrepios lhe correram a pele

É sobretudo à noite que eu me desconstruo
me desmitifico, me solto e me desanraizo
me liberto e fluo
e sou tudo aquilo que no dia seguinte
volto a cobrir
para que ninguém me veja
ninguém me descubra
ninguém suspeite sequer
que por detrás de uma aura de felicidade
está alguém que se veste como a noite
com ela come e comunga
como se ela fosse o melhor dos amantes
o maior dos confidentes
e aquela almofada mais fofa
onde se encostam os sonhos
e se adormece
esperando que o dia de amanhã
seja melhor que aquele que hoje passou

(São Reis)

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